Casas Vazias, de Brenda Navarro

 Oi, pessoal, tudo bem?




    Eu havia prometido para vocês o vídeo com o encontro do dia 27/05, mas quando fui gravá-lo, o áudio não funcionou. Para resolver o problema, fiz o seguinte: 


1. Disponibilizei (aqui no blog, à esquerda) o vídeo sem áudio mesmo. Para poder acompanhá-lo, ouça o podcast que gravei para resolver o problema:


https://podcasters.spotify.com/pod/show/dayse-muniz/episodes/Brenda-Navarro---Casas-Vazias-e24s57b/a-a9tpkvq


2. Os slides também estão disponíveis, use-os!

3. Respondam a esta postagem sobre o seguinte tema: 


Como você enxerga a construção da maternidade em Brenda Navarro?





Comentários

  1. A questão da maternidade é abordada, principalmente, como um fardo imputado por fatores sociais – Navarro articula isso dentro de dois contextos: no primeiro, com uma mulher que nunca quis ser mãe, mas a partir do momento que engravida e que tem de cuidar de Nagore, sobrinha de seu marido, Fran, começa a sentir determinada pressão para desempenhar o papel de mãe, algo que não gostaria de fazer, não consegue fazer. Assim sendo, devaneia em cenários:

    “Não parir. Não gerar, não dar motivo às células que criam a existência. Não ser vida, não ser fonte, não deixar que o mito da maternidade se estendesse em mim. Interceptar as possibilidades de Daniel enquanto ele estava no meu ventre, enclausurar Nagore até que ela deixasse de respirar. Ser o travesseiro que a sufocaria enquanto ela dormia. Recontrair as contrações pelas quais eles dois nasceram.” (p.20)

    Com o desaparecimento do filho, Daniel, a questão se torna mais complexa, pois como ela traz no mesmo trecho: “depois que nascem, a maternidade é para sempre.” (p.20) – a mulher sente que as responsabilidades surgidas com o filho, embora indesejáveis, são inegociáveis. Isso a aloca em um estado de apatia, de suspensão da vida, como se sua vida tivesse passado a ser condicionada pelo vínculo com o filho, mesmo não desejando assim, e esse vínculo tivesse sido impossibilitado de ser exercido, já que o menino desapareceu : “Meu futuro não existe, Daniel o levou embora” (p.29)

    No segundo contexto, há a pressão social sobre a mulher tanto para a maternidade, quanto para a formação de uma família, o que a deixa exposta a ciclos de violência: tanto contra si por parte do parceiro que a violenta, quanto contra a criança que sequestra, Leonel, nessa necessidade de ser mãe. Em diversos trechos, há a existência de expectativas a respeito de ter um filho e de formar uma família como algo inegociável, do destino, e que também opera no assujeitamento da mulher às violências: [...] já com Leonel, os tempos ruins iam se acabar, porque a gente aprende a ser mãe conforme as coisas vão acontecendo [...]. Mas as coisas não melhoraram” (p.46) e em: “[...] Porque, se no fundo o que eu queria era uma família, estava disposta a fazer a minha parte, se não desse certo, não seria por minha culpa” (p. 60).

    Com dois contextos que se complementam, Navarro critica as múltiplas formas pelas quais as pressões sociais pela maternidade se manifestam – pressões estas que são internalizadas e fazem com que a mulher fique presa a papéis sociais tão violentos de gênero.

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    1. Robbie, que sensibilidade! Amei as escolhas dos trechos e o nível crítico da sua leitura. Way to go!

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